Se escutava bem o silêncio que refletia na poeira entre os fracos raios de sol. A manhã passou rápida nesse mistério. Naquela tarde, acho que a última desses tantos dias que estive no hospital, pouco antes do horário de visitas, uma menininha graciosa de um olhar encantador, com um vestidinho bege como os iguais da enfermaria, irrompeu a porta e se aproximou lentamente.
Parou junto ao meu leito, frente ao meu rosto e com essas palavras disse na voz mais suave que eu já havia ouvido: "moço doce, vê esse caderninho em minhas mãos, visitei os teus sonhos todas essas noites, deles recolhi teus mais profundos sentimentos a cada sono teu, tuas aspirações e medos nele escrevi e agora te entrego. O teu canto desperta amplo na imensidão. Está livre."
Me entregou o caderno, virou-se e saiu da mesma maneira como entrou. Então, dele retirei esses poemas, que eram muito maiores, complexos e incompreensíveis. Pois que eu desconsiderei muitas partes e reproduzi aqui apenas aquilo que ainda não pude entender.
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