A exelência é terrível
Teima em corromper os inaptos
Esmerilha e suja a simplicidade
Adestra e aprisiona a espontaneidade
Maldita mania do sensível
Queima ao interromper os ineptos
Comunga de pé com a ignorância
Molesta e lesiona a intolerância
Ter uma ânsia tão morbida que toque
A sombra da minha juventude em choque
Contransta com a felicidade que tenho
Quando vejo um bicho morto e venho
Sorrindo debochado da animalidade crua
Que pousa na crueldade em cada esquina
Desejando amor aos moribundos na rua
E assistindo a sorte que culmina
Na colisão escusa de uma rosa
Com o espinho inocente que te fura
O dedo fino de maneira dolorosa
Inquieto chupo o sangue com ternura
E não deixo escorrer nenhuma gota
O instante destilado não resiste
E estende-se qual lábaro estrelado
Cosido no improviso a moda rota
Úlceras me nascem nas membranas
As mucosas macias se ressecam
E os sinais de infecção me entorpecem
De tantas ameaças irrompidas
As nossas frágeis e precárias cabanas
E aos belos tronos em que defecam
As realezas que afetadas se apetecem
De tantas mentiras proferidas
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