sábado, 5 de abril de 2014

A exelência é terrível
Teima em corromper os inaptos
Esmerilha e suja a simplicidade
Adestra e aprisiona a espontaneidade

Maldita mania do sensível
Queima ao interromper os ineptos
Comunga de pé com a ignorância
Molesta e lesiona a intolerância

Ter uma ânsia tão morbida que toque
A sombra da minha juventude em choque
Contransta com a felicidade que tenho
Quando vejo um bicho morto e venho

Sorrindo debochado da animalidade crua
Que pousa na crueldade em cada esquina
Desejando amor aos moribundos na rua
E assistindo a sorte que culmina

Na colisão escusa de uma rosa
Com o espinho inocente que te fura
O dedo fino de maneira dolorosa
Inquieto chupo o sangue com ternura

E não deixo escorrer nenhuma gota
O instante destilado não resiste
E estende-se qual lábaro estrelado
Cosido no improviso a moda rota

Úlceras me nascem nas membranas
As mucosas macias se ressecam
E os sinais de infecção me entorpecem
De tantas ameaças irrompidas

As nossas frágeis e precárias cabanas
E aos belos tronos em que defecam
As realezas que afetadas se apetecem
De tantas mentiras proferidas

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