quarta-feira, 2 de abril de 2014

Deletérios de feridas abertas

Ninguém quer abdicar das mordomias
Absorto em suas próprias manias
Futricando a perder de vista
Com a alma morta do artista

Esperei ouvir de novo
Era o clique do tempo
Me chamando a atenção
Que já se punha tarde

O intervalo virou um ovo
Um pássaro voou no vento
Quis arrancar seu coração
Para fazer dele uma arte

Bate-me o tempo na aorta
Curva-se o sangue na diástole
E aquele corpo morto e mole
Goza sua natureza doce morta

Torna-se um mito o momento
Que arranco-lhe as asas e os medos
E com uma pena na ponta dos dedos
Escrevo-te este claustroso lamento

Para desinstigar nossos tormentos
De muitos fatos antes descumpridos
Das promessas nunca dantes respeitadas
De outros e tantos falsos sentimentos

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