domingo, 9 de março de 2014

(O que o meu corpo quer
Não é preencher minha alma
Mas sim uma parte do teu corpo
Com uma parte do meu)

Não há liberdade
Enquanto se está vivo
Lapso do clique infinito
Preso no reflexo
De um instante de prazer
(Apenas o desejo de prazer)

De repente repete-se quando largo de mão
Esqueço pois acredito que não foi nada daquilo que era

O que me mantém motivado
Nesse ciclo é a dúvida

Porque quem busca certeza
Deseja perder o interesse
Porque fazer nascer o encanto
Às vezes falha
Mas a inconclusão do desejo
Não é motivo para dor
Se pensas que sofro te enganas
Nem desafio saber o que sentes

Não luto para regressar
O que nunca se foi
Vai sendo o que não era para ser
E o que era antes
Já não existe mais
O que retorna é o desejo de prazer
Alinhamento
Sintonia que surpreende

Não almejo a conquista
Pois não espero o domínio
Convencer é questão de saber desistir
E nesse meu cárcere aprisiono
Essas lembranças que amarro
E jogo no fundo do poço

Por não querer me matar
Você corta apenas minhas asas

Mas essas abominações atrofiadas
Que se debatem para me erger
Crescem novamente

Estando com os pés no chão
O voo não seria tão alto
O tombo não seria tão feio
Foi só um susto
Levantei no pulo
Sem me segurar

Meu salto de cabeça foi para baixo
Não interrompo o que eu sinto para poder pensar
Um diálogo que leva para a cama não precisa fazer sentido

Saber que não há um fim
Me faria eu matar-me a mim mesmo
Mas como não tenho certeza
Não perco nada
Que não encontro de novo

Vivo essa vida assim mesmo
No caso de não se repetir
Ainda que pareça complicado
Ao primeiro olhar
De relance se vê o realce
Dessa beleza que se oculta
Em tudo que me faz sorrir

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