sexta-feira, 21 de março de 2014

O labirinto no jardim e o viajante da floresta

Quando você não pode saber
Onde começa e onde termina
A si mesmo está perdido
Diante do desconhecido

Como se pode saber
O sabor que não experimentou
Como se pode saber
Se viu o que nunca se viu

Parece bobagem
Pouca bagagem
Falta do que fazer
Talvez haja o que se fazer
O que não se faz já está feito
Mas volta-se sempre atrás
Nos caminhos percorridos

E volta-se para não ser
a mesma coisa
Reles coisa

Entre as paredes
Emprensado entre paredes
Paredes
Paredes imensas
Paredes de árvores
Árvores mortas
Mortas e sem vida
Onde não se vê circular

E você não se vê refletir
Seus passos avançam
Já não são mais os seus pés que caminham

Andam andam andam
Percorrem esquinas
Curvas que tornam a curvar
Dobrando esquinas
Dobrando curvas

No final
De um ponto a outro
O que valeu na chegada
Não se sabia na partida

E o trajeto recomposto
E depois recontado
Redesenhado

As paredes arranhadas
Os rastros
As pegadas
Os tropeços
As mãos apoiadas
Para não dar de cara

E quando chega a luz
Lembranças coletadas
Dos dias sombrios
Conduzem a outros
labirintos

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