O labirinto no jardim e o viajante da floresta
Quando você não pode saber
Onde começa e onde termina
A si mesmo está perdido
Diante do desconhecido
Como se pode saber
O sabor que não experimentou
Como se pode saber
Se viu o que nunca se viu
Parece bobagem
Pouca bagagem
Falta do que fazer
Talvez haja o que se fazer
O que não se faz já está feito
Mas volta-se sempre atrás
Nos caminhos percorridos
E volta-se para não ser
a mesma coisa
Reles coisa
Entre as paredes
Emprensado entre paredes
Paredes
Paredes imensas
Paredes de árvores
Árvores mortas
Mortas e sem vida
Onde não se vê circular
E você não se vê refletir
Seus passos avançam
Já não são mais os seus pés que caminham
Andam andam andam
Percorrem esquinas
Curvas que tornam a curvar
Dobrando esquinas
Dobrando curvas
No final
De um ponto a outro
O que valeu na chegada
Não se sabia na partida
E o trajeto recomposto
E depois recontado
Redesenhado
As paredes arranhadas
Os rastros
As pegadas
Os tropeços
As mãos apoiadas
Para não dar de cara
E quando chega a luz
Lembranças coletadas
Dos dias sombrios
Conduzem a outros
labirintos
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