Nadei até esta costa
Através do grande mar
Era um mar fundo e feroz
Nadei e depois nadei
Cheguei com a mesa posta
Era um dia para se amar
Mas era um amar algoz
Cheguei e enfim cheguei
Entrei na mata densa
Tinham pedras para quebrar
Foram mais muitas pedras
Bem-quebrei e mal-quebrei
Cavei uma cova extensa
Tinham muitos para enterrar
Foram mais tantas perdas
Te enterrei e me enterrei
Colhi depois de meses
Muitas frutas de um pomar
(As ervas cultivadas)
Nasceram do meu suor
Foram tiradas de mim
Guardei as minhas fezes
Para poder esfregar
Na sua cara o pior
Das minhas entranhas para ti
Repousei então feliz
Com a noite para cantar
Suas vísceras na boca
Para sentir o seu gosto
Respirei pelo nariz
O odor fétido no ar
(Pulmão cheio de fedor)
E com minha voz rouca
Quis mostra-te o oposto
Dormi mais uma noite
Quando vi estava em casa
Era um pesadelo vivo
Verei meu filho crescer
Senti medo da morte
Voando a uma rasa
(Rente a minha cabeça)
Com todo o motivo
Morrerei hei de morrer
Acordei com um carinho
De um raro esplendor doce
Suave em minha face
Pois assim retribuí
E pelo meu caminho
Por mais duro que fosse
Pedi que eu aceitasse
Tudo o que eu instituí
Lutei pois nasci lutar
Escrever é preciso
Como viajar também
Escrevi como escrevi (...)
Decidi enfim parar
Tanto um quanto indeciso
Nunca quero ser refém
(Do que não vai me matar)
Refleti mas refleti
Como quem está no jugo
Minha cabeça na forca
Disso que chamam destino
Quis cortar essa corda
Mas é dela que sugo
Toda essa minha força
Para esse meu desatino
Que é parar bem na borda
Andei bem afastado
Para poder me pensar
Como um eu em mim mesmo
Afastei-me e nada vi
Voltei agoniado
O que queria alcançar
Repousava no esmo
De tudo que não vivi
Hesitei continuar
Mas depois eu percebi
O que vale essa pena
No olhar de quem me sorri
Pulei para poder ficar
No abismo que recebi
Antever o problema
Não salva mas não morri
Continuei e voei
Quis saber como cair
Para poder me conhecer
Pousei depois retornei
Confesso que destoei
Mas eu não podia sair
Do sonho sem distorcer
Como foi que contornei
Essa grande enseada
Do ponto de onde nasci
Ao porto que nunca sei
Onde é meu cativeiro
Lá vou fazer morada
Aqui rejuvenesci
Na estrada onde despensei
Sempre fui futriqueiro
Corri para poder fugir
O que foi que eu encontrei
Sem mais me olhar no espelho
Um vale resguardado
E um leão feio a rugir
Próximo de onde eu entrei
Me dava um bom conselho
Que seria guardado
Até chegar este dia
Cruel e malfadado
Que é o do fim da mentira
E glória da verdade
Vou viver com ousadia
Se sou um condenado
Na mão de quem atira
Quero ver a maldade
Carreguei as lembranças
Para onde fui comigo
Eu já não estava mais só
Fui passear me encantei
E não fiz mais cobranças
Confiei como amigo
O que não era mais só
Mentiu então eu cantei
Passeei onde pensei
Onde obtive abrigo
Para minhas memórias
(Passei mais uma parte)
Que não podia faltar
Contei o que aqui contei
Nadei nu com o perigo
(Plantei bombas no jardim)
Numa dessas histórias
Que não podia acabar
Através do grande mar
Era um mar fundo e feroz
Nadei e depois nadei
Cheguei com a mesa posta
Era um dia para se amar
Mas era um amar algoz
Cheguei e enfim cheguei
Entrei na mata densa
Tinham pedras para quebrar
Foram mais muitas pedras
Bem-quebrei e mal-quebrei
Cavei uma cova extensa
Tinham muitos para enterrar
Foram mais tantas perdas
Te enterrei e me enterrei
Colhi depois de meses
Muitas frutas de um pomar
(As ervas cultivadas)
Nasceram do meu suor
Foram tiradas de mim
Guardei as minhas fezes
Para poder esfregar
Na sua cara o pior
Das minhas entranhas para ti
Repousei então feliz
Com a noite para cantar
Suas vísceras na boca
Para sentir o seu gosto
Respirei pelo nariz
O odor fétido no ar
(Pulmão cheio de fedor)
E com minha voz rouca
Quis mostra-te o oposto
Dormi mais uma noite
Quando vi estava em casa
Era um pesadelo vivo
Verei meu filho crescer
Senti medo da morte
Voando a uma rasa
(Rente a minha cabeça)
Com todo o motivo
Morrerei hei de morrer
Acordei com um carinho
De um raro esplendor doce
Suave em minha face
Pois assim retribuí
E pelo meu caminho
Por mais duro que fosse
Pedi que eu aceitasse
Tudo o que eu instituí
Lutei pois nasci lutar
Escrever é preciso
Como viajar também
Escrevi como escrevi (...)
Decidi enfim parar
Tanto um quanto indeciso
Nunca quero ser refém
(Do que não vai me matar)
Refleti mas refleti
Como quem está no jugo
Minha cabeça na forca
Disso que chamam destino
Quis cortar essa corda
Mas é dela que sugo
Toda essa minha força
Para esse meu desatino
Que é parar bem na borda
Andei bem afastado
Para poder me pensar
Como um eu em mim mesmo
Afastei-me e nada vi
Voltei agoniado
O que queria alcançar
Repousava no esmo
De tudo que não vivi
Hesitei continuar
Mas depois eu percebi
O que vale essa pena
No olhar de quem me sorri
Pulei para poder ficar
No abismo que recebi
Antever o problema
Não salva mas não morri
Continuei e voei
Quis saber como cair
Para poder me conhecer
Pousei depois retornei
Confesso que destoei
Mas eu não podia sair
Do sonho sem distorcer
Como foi que contornei
Essa grande enseada
Do ponto de onde nasci
Ao porto que nunca sei
Onde é meu cativeiro
Lá vou fazer morada
Aqui rejuvenesci
Na estrada onde despensei
Sempre fui futriqueiro
Corri para poder fugir
O que foi que eu encontrei
Sem mais me olhar no espelho
Um vale resguardado
E um leão feio a rugir
Próximo de onde eu entrei
Me dava um bom conselho
Que seria guardado
Até chegar este dia
Cruel e malfadado
Que é o do fim da mentira
E glória da verdade
Vou viver com ousadia
Se sou um condenado
Na mão de quem atira
Quero ver a maldade
Carreguei as lembranças
Para onde fui comigo
Eu já não estava mais só
Fui passear me encantei
E não fiz mais cobranças
Confiei como amigo
O que não era mais só
Mentiu então eu cantei
Passeei onde pensei
Onde obtive abrigo
Para minhas memórias
(Passei mais uma parte)
Que não podia faltar
Contei o que aqui contei
Nadei nu com o perigo
(Plantei bombas no jardim)
Numa dessas histórias
Que não podia acabar
Nenhum comentário:
Postar um comentário