segunda-feira, 31 de março de 2014

Filho da fumaça e da pólvora
Amante da faísca e da fagulha
Acende-me um fogo que devora
Adorar a chama que me orgulha

Venero as labaredas agitadas
Que o vento alastra sem fadiga
A fúria de centelhas excitadas
Consomem numa dança antiga

A essência de flores escolhidas
E também as casas distraídas
O que não me causa consternação
Mas uma profunda satisfação

No meio da fumaça densa
Que os meus pulmões respira
Encontro a alegria distensa
Num instante incendido numa pira

Qualquer coisa que me acenda
Qualquer coisa que me aqueça
Desejo sempre sua quente fenda
A envolver-me antes que me esqueça

Porque a lembrança é como o fumo
Ainda que não se saiba seu rumo
Se esvai dissoluta e passageira
A misturar-se a transcorrência ligeira

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