quinta-feira, 27 de março de 2014

Canta canta cidade imunda
Como eu gosto de você
Ninguém é dono da rua
Ela pertence a ninguém
Ninguém faz dela o que quer
Ninguém ama a rua como
Ninguém ama
Ninguém satisfaz suas carências
Ninguém faz por ela o que
Ninguém faz
Ninguém toma conta dela
Ninguém deixa ela em paz
Ninguém cuida
Ninguém limpa
Ninguém bota pra dormir
Todas essas ruas juntas à noite
Fervilhando ocupadas por aí
Onde será que elas vão dar

O prazer de se perder nesses labirintos
O prazer de se encontrar perdido
O prazer de deixar o desconhecido
Guiar o instinto de elucidar

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