quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Caro melhor amigo Gonçalo
Eu devia ter ouvido o teu conselho
Sem receio quis te dar o meu carinho
De repente você quis rancar meus dedos

Com audácia e me assaltando de surpresa
Confiante e discorrente desse risco
Acariciei gentilmente o teu focinho
Desapegado do perigo iminente

O susto que levei foi evidente
Senti da tua boca o gosto ardente
Da minha boca um gemido estridente
Verteu-se aflitamente residente
Do fundo dos pulmões foi execrado

Senti os meus dedos sendo decepados
Respirei e esperei vê-los dilacerados
Mas quando olhei e os vi intactos
Bem feito você tinha me mordido

Belo ensinamento eu não aprendi
Não se meter com teus caninos afiados
Ainda sinto a dor do ferimento
Desse inocente gesto desatento

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