terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Eu sempre terei apenas
Aquilo que não foi
Os beijos e abraços que não dei
As músicas e poemas que não fiz
A vez que não te comi de quatro
O filho que nunca tive
E cartas que não mandei
Sinto que amanhã posso morrer
E penso em te ligar
Os telefonemas que não falei

É tudo uma lembrança já perpétua
É tudo uma memória já recolhida
Que eu não tive
E o pensamento imagina concretamente

E apalpa
E acolhe
E não resiste as ilusões
Desvairadas de devaneios recorrentes
Até que lhes consuma o esquecimento

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